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Jojo Toddynho faz sucesso nas redes e vira fenômeno

Com menos de 1 metro e meio de altura, 100 quilos e sutiã tamanho 58, Jordana Gleise de Jesus Menezes está bem longe de encarnar o estilo das musas que arrebanham legiões de fãs nas redes sociais, mas sua conta no Instagram é uma das mais movimentadas da internet. Nos últimos tempos, o perfil da funkeira de 20 anos, que tem o nome artístico de Jojo Maronttinni mas é conhecida mesmo pelo codinome Jojo Toddynho, tem crescido ao ritmo alucinante de aproximadamente 50 000 novos seguidores por dia e já conta com mais de 1,8 milhão de entusiastas. Com tantos interessados em suas composições e nos vídeos que publica, ela também foi malandra e aproveitou a oportunidade para alavancar a carreira. Arranjou participações em novelas, clipes e lançou aquele que, ao que tudo indica, deve se consolidar como o hit deste verão, o funk Que Tiro Foi Esse. Em menos de uma semana, ele se instalou no primeiro lugar no aplicativo Spotify e seu clipe somava na semana passada 54 milhões de visualizações no YouTube.

A música virou fenômeno no mundo virtual depois que um fã fez a gravação de um vídeo, no corredor de um shopping carioca, simulando ter sido baleado no momento em que, no funk, soa o estampido de um tiro. O funk e o vídeo gaiato, a princípio, se tornaram alvo de críticas por fazerem piada com um problema grave da cidade. Rapidamente, no entanto, o deboche original venceu a patrulha e a ideia divertida se espalhou e passou a ser reproduzida em todos os cantos. Caetano Veloso, Bruno Gagliasso e Luciano Huck são apenas alguns nomes que aderiram à brincadeira, publicando vídeos em que copiam a tal “coreografia”. Hoje, no Instagram, há mais de 80 000 postagens com a hashtag #quetirofoiesse. O valor do cachê dos shows de Jojo mais que dobrou: os 4 000 reais iniciais viraram 10 000 reais. E, depois do Carnaval, quando vai ser destaque na Beija-Flor e se apresentar nos trios de Claudia Leitte, Anitta e Leo Santana, em Salvador, a expectativa é que cada apresentação não saia por menos de 25 000 reais. “Hoje, aonde vou, junta gente para tirar foto comigo. E de todas as classes sociais. Jamais imaginei que fosse fazer tanto sucesso”, diz ela, que acaba de se mudar de Bangu para a Lapa, onde alugou uma quitinete.

Jojo tem autoridade para falar da violência e da vida complicada nas regiões pobres do Rio. Ela tinha 2 meses quando a mãe, a empregada doméstica Ione, pediu à avó paterna, Rita Maria, e à tia, Ana Cristina, que cuidassem da filha. Aos 10 anos, viu o pai ser assassinado da janela de casa. Foi camelô, vendeu picolé no trem e trabalhou num parque de diversões do subúrbio. Largou a escola no 1º ano do ensino médio. Foi reprovada duas vezes — e em casa só foram saber muito tempo depois. Às vésperas de completar 15 anos, quase matou a avó e a tia de susto ao sumir durante um fim de semana inteiro. Como castigo, ficou sem a festa de aniversário. “Eu achava que ela não chegaria aos 20 anos. Uma amiga, que é mãe de santo, disse para eu ficar calma, que ela não só viveria como ficaria rica”, conta a tia Ana Cristina.

Profecia ou não, o fato é que, no ano passado, uma desconhecida pegou uma foto da funkeira na internet e a publicou num grupo de discussão sobre cirurgia plástica — do qual a tia de Jojo fazia parte —, questionando se seus seios eram naturais ou tinham silicone. Furiosa, Jojo postou um vídeo em que dispensava o uso do sutiã e fazia um discurso sobre amor-próprio. No dia seguinte, a gravação tinha sido vista por 2 000 pessoas e ela ganhara uma centena de novos seguidores. Depois disso, começou a postar conselhos sobre relacionamentos e autoestima. “As pessoas têm de se aceitar do jeito que são. Não temos de agradar a ninguém. Para mim, meus peitos não são grandes, são normais.” Jordana virou Jojo Toddynho no Carnaval passado, depois de assistir a um episódio em que Terezinha, personagem de Cacau Protásio no seriado Vai que Cola, humorístico exibido pelo Multishow, dizia que, dos seios de mulheres negras, o leite já saía com chocolate. Com as postagens, chamou a atenção de Fabio dos Santos, que lançou Tati Qu­ebra-Barraco e Mc Créu. “No princípio, achei que era só um fenômeno da internet. Mas, quando a ouvi cantando, fiquei surpreso”, diz o empresário, que intermediou a participação dela no clipe Vai Malandra, de Anitta. Jojo, claro, fez das suas nos bastidores. “Queriam que vestisse um macacão metalizado. Não topei, é óbvio. Imagine se vou esconder uma maravilha destas”, diz, exibindo o decote, com um sorrisão nos lábios.



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