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Após deixar Globo, Tino Marcos afirma que cobrir a Seleção 'estava chato'
12/05/2022 08:02 em Cotidiano

Fazer a cobertura da Seleção Brasileira estava chato. Essa foi a opinião emitida por Tino Marcos, repórter que passou 35 anos na Globo e acompanhou o Brasil em oito Copas do Mundo, em entrevista ao Flow Sport Club. O motivo principal, segundo ele, é a limitação do acesso ao dia a dia da equipe. 

 

"Está muito chato cobrir a seleção, porque você vê basicamente roda de bobinho, brincadeira e aquecimento. Depois disso você vai embora (…) Hoje, é aquela coisa mais pasteurizada, aí eu comecei a achar muito chato", relatou. 

 

De acordo com o Metrópoles, parceiro do Bahia Notícias, Tino relembrou a Copa do Mundo de 2002, quando o então treinador Felipão abriu os treinos sem fazer mistérios sobre a equipe. Ele aponta ainda como a presença de jogadores que atuam na Europa na Seleção Brasileira interferiu na dinâmica entre imprensa e o time.

 

“Acho que isso foi uma imposição natural dos jogadores que vêm da Europa, porque eles começaram a reclamar bastante que a imprensa estava lá toda hora. Em 2002, o Felipão fez todos os treinos abertos. Ele dava esporro no Cafu na nossa frente, ele brigou com o Marcos e até o expulsou de um treino. Então, você tinha muito mais conteúdo e rendia mais assunto”, detalhou.

 

Ainda falando sobre a relação com o Brasil, Tino Marcos comentou sobre a passagem de Dunga pelo comando da Canarinho. De acordo com ele, o ex-capitão restringiu de forma radical o acesso da imprensa aos jogadores.

 

“Chegou num ponto em que a gente viajava no mesmo avião da seleção, na parte de trás, e antes os jogadores cumprimentavam e conversavam com a gente, mas eles passaram a abaixar a cabeça e sentar para que Dunga não os vissem que trocando ideia com a imprensa. Até o assessor falava que tinha que sair dali para Dunga não o ver falando com os jornalistas. Chegou nesse nível. Era um negócio além da conta”, explicou o repórter.

 

Tino Marcos disse ainda que na Copa de 2010 na África do Sul, apesar do bom futebol apresentado a seleção em um ambiente péssimo.

 

“Eu vi jogadores e pessoas da comissão técnica falarem: ‘Se ganhar, beleza. Vou ganhar o meu bicho, entrar para a história… eu quero ganhar, mas quero ir embora disso aqui porque não aguento mais. O ambiente é horroroso, pesado’. Então, foi uma época triste para a seleção”, completou.

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